Blog de trazer por casa
Considerações, reflexões e problemas domésticos da maior «looser» do reino das fadas do lar («e não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela», Clarice Lispector) blogdetrazerporcasa@gmail.com
Quarta-feira, Setembro 27
my bag (lost around 1986)
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getting down on my knees
Every time i think of you
I feel shot right through with a bolt of blue
It's no problem of mine but it's a problem I find
Living a life that I can't leave behind
There's no sense in telling me
The wisdom of a fool won't set you free
But that's the way that it goes
And it's what nobody knows
While every day my confusion grows
Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for that final moment
You'll say the words that I can't say
I feel fine and I feel good
I'm feeling like I never should
Whenever I get this way, I just don't know what to say
Why can't we be ourselves like we were yesterday
I'm not sure what this could mean
I don't think you're what you seem
I do admit to myself
That if I hurt someone else
Then I'll never see just what we're meant to be
Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for that final moment
You'll say the words that I can't say
Quarta-feira, Setembro 6
mito
- acho que o seu nada que é tudo
é um nada em tudo diferente do meu.
olho a Pessoa um tudo nada diferente dele)
Sábado, Agosto 19
à espera da despedida possível
Às vezes despedimo-nos tão cedo
que nem lágrimas há que nos suportem o
peso da voz à solidão exposta
ou
de lisboa no corpo o peso triste
Às vezes é tão cedo que nos vemos
omitidos
enquanto expõe
o peso insuportável do amor
a despedida
É tão cedo por vezes que lisboa
estende sobre os corpos o desgosto
Com os dedos no crânio despedimo-nos
Sexta-feira, Abril 14
parece que ontem ou anteontem foi dia do beijo; os dias e os beijos podem correr mal
MR. BRIGHTSIDE (THE KILLERS)
Coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this?
It was only a kiss
It was only a kiss
Now I'm falling asleep
And she's calling a cab
While he's having a smoke
And she's taking the drag
Now they're going to bed
And my stomach is sick
And it's all in my head
But she's touching his chest now
He takes off her dress now
Let me go
And I just can't look
It's killing me
And taking control
Jealousy
Turning saints into the sea
Turning through sick lullaby
Joking on your alibi
But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
I'm Mr. Brightside
Sexta-feira, Abril 7
o fim da semana acode-me à retentiva
Autodidacta
Autodidacta, já ia na terceira
fasciculada história da pintura
e olhava o mundo como se ele fora
só uma tela, bem ou mal pintada.
Se acaso em piquenique desdobrava
toalha em relva, logo o Déjeuner
sur l'herbe lhe acudia à retentiva,
mas a nudez alegre é que faltava...
E quando um farroupilha conferia
com o certo retirante da memória,
em portinaris o mundo sacudia
sacos de ossos da sua triste história.
E ao enamorar-se, a breve entrecho
já era El Hombre con la mano al pecho...
do livro de 1969 De ombro na ombreira)
Quarta-feira, Março 29
shame on you, Miss Daisy
E a paga é uma providência cautelar?!
Vale a pena ler isto.
Mas vou calar-me, não vá alguém mandar fechar este blog de trazer por casa.
Terça-feira, Março 14
como dizê-lo?
Eu que grito, sem ninguém me ouvir, nas hierarquias dos Anjos.
acidentes de percurso
Terça-feira, Março 7
TV Guia
Segunda-feira, Fevereiro 27
Sábado, Fevereiro 11
não-regresso
«São coisas assim que tornam o coração vulnerável», sendo que não só a «a poesia é a ficção do verdade». And I am just writing something. Best regards.
Terça-feira, Dezembro 27
regresso
As coisas deste mundo? Prefiro falar
do precipício concreto
de um abraço.
Segunda-feira, Dezembro 19
Funes
Sexta-feira, Dezembro 16
finalmente a explicação
Inspirado pelas "Greguerías", de Ramón Gómez de la Serna, Márcio escreveu as "Gregorias", depois de uma noite de copos.
a propósito
In order to arrive there,
To arrive where you are, to get from where you are not,
You must go by a way wherein there is no ecstasy.
e introdução de Gualter Cunha, Lisboa, Relógio d'Água, 2004, p. 46)
para averiguar do seu grau de melancolia
shopping cart II
shopping cart
Segunda-feira, Dezembro 12
parcialmente miseráveis
Em tempos como estes, de usura, há algo de inquietante e de escandaloso no mistério gratuito da poesia. Por que continuam os homens a escrever poesia? E por que continuam outros homens, desrazoavelmente, a escutá-la?
A poesia não tem respostas (às vezes, pobre dela, nem perguntas), não oferece consolo, não promete coisa nenhuma. É apenas um fio de voz desprovido e solitário, vindo de lugares antiquíssimos dentro dos homens e persistindo obstinadamente no meio da vozearia do comércio e da gritaria dos media. Que haja quem continue à escuta dessa longínqua voz pode significar que talvez haja esperança e que talvez, afinal, não sejamos inteiramente miseráveis.»
Domingo, Dezembro 11
Sábado, Dezembro 10
estes são dias
Estes são dias de ver filmes de Woody Allen e ler poemas de e.e.cummings.
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
Sexta-feira, Dezembro 9
esse outro abismo fundamental
Q. raramente escreve sobre a vida; talvez porque ela seja apenas o reflexo desse outro abismo fundamental.
A propósito disto, Q., que acordou muito, muito cedo, recorda a crónica que Pedro Mexia escreve hoje no DN. Mexia começa por sustentar que «a criação é gémea da infelicidade» para chegar ao que verdadeiramente interessa: Requiem, de Jorge Gomes Miranda. E Mexia cita:
Cansados de gritos e de luz inclemente,
os olhos encontram repouso na contemplação
do vosso destino
esfumando-se ao fim da tarde,
ó nuvens, que me acompanhais no regresso
a uma casa moribunda.
Nos silenciosos acordes da vossa tenebrosa
espuma espelha-se este céu desalentado
e o nosso maternal rosto.
Pudesse o futuro encontrar nos vossos braços
repouso, não tardaria a noite,
amparo e vigília,
a purificar o corpo que sangra,
devolvendo à vida o que a vida
cobardemente nos vai retirando.
Q. ainda não leu o livro de Jorge Gomes Miranda, mas já decidiu que este fim de semana vai ser de aventura: depois de se encher de coragem e de se esvaziar de gente e de fantasmas, Q. enfiar-se-à numa das FNACs lisboetas e, nestes tempos natalícios, no meio das duas ou três pessoas e dos dois ou três fantasmas que se passeiam pela secção dos livros de poesia, encontrará Requiem. E seguirá, mais uma vez, para uma casa moribunda, esfumando-se ao fim da tarde sob este céu desalentado.
Quarta-feira, Dezembro 7
play
Baby do you understand me now
If sometimes you see that I'm mad
Doncha know that no one alive can always be an angel?
When everything goes wrong you see some bad
Well I'm just a soul whose intentions are good
Oh Lord, please don't let me be misunderstood
Ya know sometimes baby I'm so carefree
with a joy that's hard to hide
Then sometimes again it seems that all I have is worry
And then you're bound to see my other side
But I'm just a soul whose intentions are good
Oh Lord, please don't let me be misunderstood
If I seem edgy
I want you to know
I never meant to take it out on you
Life has its problems
and I get more than my share
but that's me one thing I never mean to do
Cause I love you
Oh baby
I'm just human
Don't you know I have faults like anyone?
Sometimes I find myself alone regretting
some little foolish thing
some simple thing that I've done
I'm just a soul whose intentions are good
Oh Lord, please don't let me be misunderstood
I try so hard
So don't let me be misunderstood
percebia alguma coisa de finanças e consta que tinha biblioteca
Terça-feira, Dezembro 6
[AQUI NASCEU O RISO]
Aqui nasceu o riso. Aqui nasceu
a palavra da árvore. Aqui nasceu
o gesto do sílex. Aqui nasceu
a dúvida mineral, mais a mentira
que dorme no intestino da montanha.
Aqui nasceu o sonho do esqueleto,
depois o primeiro amor da aranha
para o céu viúvo. Aqui nasceu o esforço
das coisas em direcção à mulher e dos objectos
em direcção ao homem. Aqui morreu, de súbito compreendida
e já ultrapassada, a raça humana.
Alain Bousquet, Quel royaume oublié?, tradução de David Mourão-Ferreira
(Colóquio-Letras nº 165, p. 219)
solidariedade
Segunda-feira, Dezembro 5
espera
a culpa tem sido sempre do sistema das comunicações
Não tenho grande fé de encontrar-te
na vida eterna.
Era já problemático falar-te
na terrena.
A culpa é do sistema
das comunicações.
Descobrem-se muitas mas não aquela
que tornaria ridículas, e até inúteis,
as outras.
Eugenio Montale, Poesie disperse (1980), tradução de David Mourão-Ferreira
(Colóquio-Letras nº 165, p. 143)
Quinta-feira, Dezembro 1
funcionamento sazonal
Nunca mais se voltaram a encontrar - nem na Primavera nem no Outono -, e nenhum deles chegou a ter a certeza de que a conversa fora mesmo sobre criatividade.
actualização de Pessoa pela pena de Q.
Agora que a obra caiu no domínio público.
Escrevo -
perturbo-me de ver o bico da minha pena.
Escrevo -
perturbo-me de ver as arestas do meu teclado.
post para o dia de hoje
Depois de uma noite feliz com a Ceifeira, Q. acordou e, no lugar que ela deixou vago, repousavam dois versos de Pessoa: Triste de quem é feliz/Vive porque a vida dura.
post para o dia de ontem
Os poetas aprendem nos poetas o segredo da transfiguração poética, a alquimia secreta da transmutação da palavra em ouro.
Em ambos os sentidos.
muitos patos e muitos pombos
Daqui de longe, da janela da miopia, pareceram-me muitos patos e muitos pombos. Ali ao fundo, muito ao longe, todos juntos entre as árvores do Jardim da Estrela.
Domingo, Novembro 27
o sonho - deep blue
Sonho que mergulho o meu rosto no teu cabelo agora deep blue
mas acordo sobressaltado com o telemóvel a vibrar no bolso
atendo e ouço a voz aflita de uma mulher desconhecida
a dizer-me que «eles descobriram tudo tens que fugir»
«eles quem e descobriram o quê?» mas a voz desaparece
e depois estou numa casa vagamente familiar rodeado de pessoas
estranhas que se comportam como se eu não existisse
e uma diz-me «vá lavar as mãos vamos agora jantar»
e eu vou mas a casa de banho está repleta de pessoas nuas
uma elipse e estou de cócoras a aplanar um chão de terra escura
«quantos sonhos de cada vez pode uma pessoa sonhar?»
pergunto-te eu perdido na profundidade do teu cabelo agora
deep blue.
Carlos Alberto Machado, Talismã, Lisboa, Assírio & Alvim, 2004
domingo - cartas de amor em tempo de guerra
Depois de amanhã é outra vez domingo, sei lá se o passarei largado aí por esses morros. Perdi a noção do que seja um domingo.
Rosarinho, no dia 21 de Junho de 1963; publicada no JL de 23 de Novembro de 2005
bons conselhos ou «a estratégia do silêncio»
Ao que parece, a esfinge, depois de derrotada, não se suicidou - «voou para outras paragens»; e, ao que parece, esta crónica, apesar de ter começado pela Literatura, voou também ela para outras paragens. Mas não há motivos para nos preocuparmos, como adverte João Barrento na nota com que termina a sua crónica: «como se sabe, as esfinges são puro mito, palavra da imaginação e não da razão, muito menos da História.».
Quinta-feira, Novembro 24
todos os nomes
Domingo, Novembro 20
o que me vale no fim do fim de semana
O QUE ME VALE
O que me vale aos fins de semana
é o teu amor provinciano e bom
para ele compro bombons
para ele compro bananas
para o teu amor teu amon
tu tankamon meu amor
para o teu amor tu te flamas
tu te frutti tu te inflamas
oh o teu amor não tem com
plicações viva aragon
morram as repartições
calma é apenas um pouco tarde, Lisboa, A regra do jogo, 1974, p. 44)
Sábado, Novembro 19
eu e mais 1677

You Are... Ride.
You are young at heart and full of energy. You are
talented but very modest. You are happy go
lucky and care free. You have learned to take
the good with the bad and you just accept life
for being what it is. People tend to be envious
of you, That's only because they don't
understand you and they just want some of what
you have. There's no task too hard for you and
you excel at pretty much everything you try to
do. You have a playful personallity and a
beautiful inner soul.
what Creation Records band are you? (complete with text and images)
brought to you by Quizilla
Desde que me iniciei nas lides blogosféricas, e graças à quantidade de testes a que me sujeitei, o meu inner self deixou de ter segredos para mim.
sentido prioritário
dilemas modernistas em tempos pós-modernistas: ser solidário/ser solitário
Eu medito sem palavras e sobre o nada. O que me atrapalha a vida é escrever.
(Clarice Lispector, A Hora da Estrela)
outono (3)
OUTONO
Uma vez um homem encontrou duas folhas e entrou em casa
segurando-as com os braços esticados dizendo aos pais que era uma
árvore.
Ao que eles disseram então vai para o pátio e não cresças na sala
pois as tuas raízes podem estragar a carpete.
Ele disse eu estava a brincar não sou uma árvore e deixou cair as
folhas.
Mas os pais disseram olha é outono.
uma série de perguntas
Diz-me: o que preferes?
Nan Goldin*, Isabella as a ghost, St. Remy, France
Nan Goldin, Valerie, Axelle and Joanna at the Pulp, ParisSexta-feira, Novembro 18
como o nosso destino não está nunca nas nossas mãos
A questão, com que entretanto Q. me confrontou, prende-se agora com o sentido que faz comparar este resultado (Camus, Marx, Barthes...) com a minha lista dos cinco romances portugueses dos últimos trinta anos. Deixei escrito n'A natureza do mal:
Sem ordem nem desordem -
. «Para sempre», Vergílio Ferreira
. «Aparição», Vergílio Ferreira
. «Mau tempo no canal», Vitorino Nemésio
. (tendo em conta a data da primeira edição, e fugindo propositadamente aos espartilhos genológicos) «O Livro do desassossego», Bernardo Soares
. «Casas pardas», Maria Velho da Costa
Problema: faz sentido falar dos últimos 30 anos do século XX (para a minha lista fazer sentido...)
...ou dos últimos 50 anos do mesmo século...
Diz o Francisco José Viegas que estes (os dele, os meus, outros) «podem não ser os melhores romances; mas explicam-me os últimos trinta anos».
Seria boa ideia fazer a mesma lista para livros de poesia e ensaios. Até porque nas estantes cá de casa (e inspirando-me numa das perguntas de sábado do questionário do Mil Folhas) há mais poesia e ensaio do que ficção.
Quinta-feira, Novembro 17
o não lugar
Quarta-feira, Novembro 16
conselho (2)
ecos da infância
Everything you touch you don't feel/ Do not know what you steal
Wants you out of the sun
Please destroy me this way
Anything that may delay you/ Might just save you
You only have to look behind you/ At who's underlined you
Destroy everything you touch today/ Please destroy me this way
(fragmentos de Destroy everything you touch, Ladytron)
Terça-feira, Novembro 15
Segunda-feira, Novembro 14
pequeno spa terapêutico
Domingo, Novembro 13
Sábado, Novembro 12
conselho
pequena confissão de fim de semana
(que nos cante sobretudo a versão da buckleyana Song to the siren, dos This Mortal Coil, repetindo várias vezes «Did I dream you dreamed about me?»)
Quinta-feira, Novembro 10
fill in the blanks
tese de trazer por casa
Perfeitamente legítimo: é difícil descobri-las no intenso tráfego, com toda a poluição no sangue. Sobretudo para quem não se contenta com relances e encontros fortuitos.
quem
Quem, se eu gritar, me ouvirá...
Quem, se eu gritar, me ouvirá...
Quarta-feira, Novembro 9
citações
Terça-feira, Novembro 8
as asas
metade disso
O meu avô acreditava em cinco coisas.
Eu só acredito em duas.
Q. acredita em metade disso.
banda sonora
(...)
I don’t wanna wait in vain for your love;
I don’t wanna wait in vain for your love;
I don’t wanna wait in vain for your love,
’cause if summer is here,
I’m still waiting there;
Winter is here,
And I’m still waiting there.
Like I said:
It’s been three years since I’m knockin’ on your door,
And I still can knock some more:
Ooh girl, ooh girl, is it feasible?
I wanna know now, for I to knock some more.
Ya see, in life I know there’s lots of grief,
But your love is my relief:
Tears in my eyes burn - tears in my eyes burn
While I’m waiting - while I’m waiting for my turn,
See!
I don’t wanna wait in vain for your love;
I don’t wanna wait in vain for your love;
I don’t wanna wait in vain for your love;
I don’t wanna wait in vain for your love;
I don’t wanna wait in vain for your love, oh!
I don’t wanna - I don’t wanna - I don’t wanna - I don’t wanna -
I don’t wanna wait in vain.
(...)
sorry there is no return to your call
Segunda-feira, Novembro 7
Domingo, Novembro 6
benfica
Será que só cá em casa o Mantorras é considerado o maior trapalhão da história do futebol? (mesmo considerando a velha história dos minutos finais dos jogos da época passada)
angústia da influência em segundo grau
Sábado, Novembro 5
não novelas, mas dramas
um passeio
Q. permanece agora no sofá. Versos de Torga escorrem-lhe dos olhos para a boca. Desgraçadamente só morre quem se afoga no mar da própria condição.
Q. olha para o lado e, na outra almofada do sofá, a solidão aproxima-se do seu lugar, alastrando como uma nódoa no tecido.
Sexta-feira, Novembro 4
ele aceitou
Cesariny foi distinguido com o Prémio Vida Literária, da APE. Aceitou-o - em nome das infracções.
(...)Eu sou, no sentido mais enérgico da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma só história
de sentido ainda oculto
magnífica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha férrea ultrajada pelo tempo
é por isso que eu trago um certo peso extinto
nas costas
a servir de combustível
e é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-las semimortas à linha
(...)
Quinta-feira, Novembro 3
the lake
To haunt of the wide earth a spot
My infant spirit would awake
To the terror of the lone lake
Yet that terror was not fright
But a tremulous delight
And a feeling undefined
chuva
Quarta-feira, Novembro 2
a propósito
Terça-feira, Novembro 1
e também lhe disse
"I must be on my way before i turn into a tear."
Moondog
She bought a cover to cover the seat; but the cover was so nice,
she bought a cover to cover the cover; and now it's covered twice.
poema para ler num dia feriado
Quais as pessoas que existem, aquelas que ficaram,
portanto, com quem falar da vida?
Existe a amizade com os antigos
existe a contemporaneidade com os de agora
existe sobretudo a minha firmeza
a minha fragilidade de cabeça.
Segunda-feira, Outubro 31
pausa para reflexão
Domingo, Outubro 30
Sexta-feira, Outubro 28
«deste mês abrupto»
que não fale da morte.
letras maiúsculas
Quinta-feira, Outubro 27
pós-promoção (nenhum sítio)
alpha
Sobretudo os diálogos suspensos no tempo e no espaço.
Hold the sun down
Hold the moon down
Leave me to rest
Want the world man
Too the words out
Only relief is
To slip through the nets
Hold a minute
And stop a minute
And go, oh oh
Hold a minute
You said to me
Said to me and
Breath, breath, breath, breath, breath ...
You said it to me
Sometime later.
Quarta-feira, Outubro 26
Yakari
Au pays des ElansDes bisons, des mustangs
Nombreux sont tes amis
Comme les brins d'herbe Yakari
Mille-Gueules et Double Dent
Tilleul et Bison Blanc
Nombreux sont tes amis
Comme les brins d'herbe Yakari
Avec Petit Tonnerre
Tu files comme l'éclair
A travers la prairie
Où le vent souffle Yakari
Sur la piste du vent
Seul, tout seul dans le désert
Tu ne crains pas les pièges
Grand Aigle te protège
Les bruits de la forêt
Te disent les secrets
Des animaux blottis
Dans leurs tanières Yakari
Tu sais où sont cachés
Les sources des rochers
Tu sais où sont tapis
Les daims, les biches Yakari
(...)
Salut Yakari
pré-promoção
Terça-feira, Outubro 25
in cosmic reflection
the chemical brothers feat. the flaming lips
I never meant to hurt you
Segunda-feira, Outubro 24
o lugar e a fórmula
Sábado, Outubro 22
como se
Os lugares são
a geografia da solidão.
São lugares comuns a casa a cama.
A memória ( como uma criança à escuta) apossou-se deles.
Sexta-feira, Outubro 21
passeio alegre
Quinta-feira, Outubro 20
fora de casa
envelhecimento precoce
K. ligou cá para casa hoje, às cinco da manhã. Estava com insónias e lia Toda a Mafalda. Confessou-me as suas afinidades umbilicais com Miguelito. E desligou sem me dar tempo para comentar a sua tirada final: «Eu até consegui aprender a conviver com o momento em que me tornei uma pessoa adulta, mas tenho sérias dificuldades em enfrentar o instante em que filosoficamente me transformei numa cínica criatura».Não voltei a pregar olho.
Quarta-feira, Outubro 19
Terça-feira, Outubro 18
Segunda-feira, Outubro 17
StarDustMemories
Domingo, Outubro 16
Sábado, Outubro 15
fuso horário
Sexta-feira, Outubro 14
Quinta-feira, Outubro 13
a propósito
he will always have Serralves

«O medo é sempre o reflexo do nosso fantasma quando cá estamos neste mundo.»
(João Penalva, Kitsune, o espírito da raposa, 2001)
Quarta-feira, Outubro 12
sintomatologia
Terça-feira, Outubro 11
inquérito de trazer por casa
Um homem moral em que assuntos deve pensar?
E em que assuntos não deve pensar? (...)
Que actos devo fazer? (...)
Que pensamentos devo ter?»
«Eis o problema colocado pelo doutor Gomperz e sobre o qual agora Theodor Busbeck tenta reflectir.».
Mesmo que não subscreva a teoria do doutor Gomperz, de acordo com a qual «a loucura (...) [é] uma pura falta de ética», formule a sua hipótese e envie-a cá para casa.
(citações de TAVARES, Gonçalo M.. Jerusalém, Lisboa, Círculo de Leitores, 2004, pp.104-105.)
a couch in new york (versão de trazer por casa) - parte II

o livro em branco (versão de trazer por casa)
Segunda-feira, Outubro 10
delicodoce
Domingo, Outubro 9
pequeninas coisas que salvam os primeiros domingos de chuva
1. Vestígios de crianças nas janelas cá de casa (Olha os pavões... e as pombinhas, de Francisco Maria, manteiga sobre vidro, Outubro de 2005);3. Revisão dos motivos para regressar ao Porto: cama e roupa lavada a preços interessantes;
4. A primeira parte da crónica de Joaquim Manuel Magalhães (Actual, Expresso, pp. 60-61), cuja leitura permite (sem querer?) compreender alguns dos temas e motivos da sua poesia: «(...) Suponho que munca mais (...) me lembrei do céu. Sempre preferia faróis dos carros, varandas em ruas iluminadas ou o transportador fechamento dos bares.»;
5. A colecção de momentos de António Lobo Antunes, publicada na p. 15 da Visão de quinta-feira, 6 de Outubro: «Deviam poder guardar-se estes momentos no banco, a render juros. E receber o extracto ao fim do mês: em lugar do dinheiro, um clarinete à chuva, uma onda, a boina de Alfonsinha Storni e o cheiro da erva molhada, o pobre Caruso a tentar soltar-se do disco. Se o gestor da conta fosse esperto informava-me «este mês tem mais uma onda», «até ao fim do ano espero conseguir-lhe dois clarinetes» (...).»;
6. A crónica «E exterminá-lo?», de Manuel António Pina, no mesmo número da Visão (p. 96), comentando episódios daquilo a que o autor chama uma «versão tosca, em jardinês, do L'État c'est moi» (pode encontrar-se o «alvo», na sua melhor forma, aqui).
7. A voz de Feist na música «Why don't we disappear», acompanhada por alguns dos sons violoncelantes do álbum Z, assinado por Gonzales.
Sábado, Outubro 8
Sexta-feira, Outubro 7
Quinta-feira, Outubro 6
a couch in new york (versão de trazer por casa)
Quarta-feira, Outubro 5
a varanda cá de casa
No gramofone, PolyStar - O som do êxito, com «More than this», dos Roxy Music:
«I could feel at the time
There was no way of knowing
Fallen leaves in the night
Who can say where they´re blowing
As free as the wind
And hopefully learning
Why the sea on the tide
Has no way of turning
More than this - there is nothing
More than this - tell me one thing
More than this - there is nothing
It was fun for a while
There was no way of knowing
Like dream in the night
Who can say where we´re going
No care in the world
Maybe i´m learning
Why the sea on the tide
Has no way of turning
More than this - there is nothing
More than this - tell me one thing
More than this - there is nothing».
Terça-feira, Outubro 4
to be lacking in
«(...)
- Será que podíamos voltar a falar de si? Por que deixou de escrever ficção?
- Decidi que a minha obra estava completa. Que já não tinha mais nada para dizer.
- Assim, de um momento para o outro?
- Assim, de um momento para o outro.
- E isso não o perturbou?
- Por uns tempos. Mas depois até comecei a gostar.
- Como assim?
- É como quando se fica sem gasolina e o carro pára - explicou Adrian. - A princípio é aborrecido, mas pouco depois começamos a apreciar o silêncio e a tranquilidade. Ouvem-se coisas que nunca se ouviam antes, porque estavam abafadas pelo ruído do motor. Vêem-se coisas que antes passavam de relance, indistintas.
- Alguma vez ficou sem gasolina? - perguntou Fanny.
- Já que pergunta, não.»
Segunda-feira, Outubro 3
Eclipse
Domingo, Outubro 2
Bed time story - um post não confessional
A propósito de confessionalismos e posts intimistas (e passando por cima da cada vez mais profícua discussão teórica que se tem desenvolvido em torno do tema), confesso a Deus Todo-Poderoso e a vós, irmãos:
I wanna
I wanna
I wanna be adored
wanna
I wanna
I wanna be adored
I wanna
I wanna
I wanna be adored
I wanna
I wanna
I gotta be adored
I wanna be adored
(Stone Roses)
Alternative take - lunch time

«So far away
Come on I'll take you far away
Let's get away
Come on let's make a get away
Once you have loved someone this much
you doubt it could fade
despite how much you'd like it to
God how you'd like it to fade
Let's fade together
If we get away
You know we might just stay away
So stay awake
Why the hell should I stay awake?
When you're far away
Oh god you are so far away
I looked your wall
Saw that old passport photograph
I look like I've just jumped the Berlin Wall
Berlin I love you
I'm starting to fade
Let's fade together»
play
Bem sei que hoje é dia de Franz Ferdinand, mas depois de um fim de semana solitário de insónias (barulhos indecifráveis no telhado atormentaram o meu sono de beleza), o domingo começou com Maxwell:«Gonna take you in the room suga'
lock you up and love you for days
We gonna be rockin' baby til the cops come knockin'
Pappa gonna have to leave a message on the
telephone baby
There won't be no stoppin' til the cops come knockin'»
E depois?

Excerto de um diário encontrado nas ruínas da casa (antes de ser nova):
«Regresso ao diário. Devia escrever as palavras que aprendes a dizer em cada dia; mas fico sempre impressionada de mais ou de menos com outras coisas nada interessantes – hoje, por exemplo, soube que alguém perdeu um irmão com vinte anos, o que é o mesmo que perder um avô com setenta aos onze anos. Quando nasceste cheguei a pensar no seu regresso; aprendo sempre a viver a morte devagar – todos os dias; mas tu nasceste, já dizes o meu nome – hoje, por exemplo, olhaste para mim, para o que de mim estava mais ao teu alcance, disseste «pato».
Do meu sapato nunca nada se tinha dito no mundo.
(...)
E depois há a maneira como dizes as palavras, como as sopras, como as destróis. Nada é mais criador do que tu – momento único da infância mais perfeita, mais...
(Dás-me beijos em troca de desenhos e és demasiado perfeito para entenderes qualquer coisa sobre isto ou sobre nós ou ainda sobre a desnecessidade das nossas trocas.Duvido que alguma vez na vida e na morte volte a acontecer alguém como tu.)
Dizem-me que é escusado escrever sobre o que me revelas todas as horas. Dizem-me eles, os sábios, os teóricos, de certa ou de outra ou da mesma maneira, os poetas. É impossível recuperar por excesso ou por defeito, e tu és tão pequeno, tens já tantos espectros.
Sempre me chamaste pelo meu nome, refutando imoral e puramente as mais doutas teorias da aprendizagem da fala; afastas-me, negas a fotografia, como se já soubesses que é o rosto o que verdadeiramente importa. A palavra José nunca será a tua existência enquanto a palavra sangue não sangrar. Ainda assim quero que aprendas o teu nome, precisas de uma identidade ou de qualquer coisa que se assemelhe a isso. Neste momento, és «zé».
Sem assinatura, sem data, sem lugar
Around the clock?
a) repetir, como se fosse a tabuada, o quadro político, económico e social traçado por Joaquim Aguiar no «Expresso da meia-noite» (SIC Notícias) de ontem;
b) dispôr livremente das vinte e quatro horas de um domingo para:
1. acabar de ler o «Expresso», o «Público» e o «DN» do sábado anterior num sofá com vista sobre Lisboa e o Tejo, esse irresistível lugar comum;
2. continuar a ler os vários livros que se acumulam nos recantos do lar (poesia no sofá, ensaio na secretária, ficção na mesa de cabeceira, «The New Yorker» na mesa do pequeno almoço);
3. ver pela enésima vez e de seguida todas as séries de «Seinfeld», interrompidas apenas durante entre as 17h e as 18h para assistir a «Desperate housewives»;
4. ir «para as hortas na pessoa dos outros/ Contente da minha anonimidade» (Álvaro de Campos);
c) repetir para mim mesma que as crianças de hoje obrigam as mães a assistirem a:
1. concertos dos D'ZRT;
2. «Morangos com açucar»;
3. desenhos animados para os quais os ouvidos não estão «decibelmente» preparados (o que é feito da voz do avô de Heidi? ou do som melodiosamente atonal da vaca da Rua Sésamo quando cantava «eu tenho orgulho, orgulho em ser uma vaca, vaca, vaca/ eu tenho orgulho, orgulho em dizer mu e não miau...»);
d) construir despreocupada e assiduamente um «labirinto/ no labor íntimo» e descobrir «quem foi que à tua pele conferiu esse papel/ de mais que tua pele ser pele da minha pele» (David Mourão-Ferreira).
Sábado, Outubro 1
Sexta-feira, Setembro 30
a ponto de eu nesse instante explodir em:

«Vara de arames - Ao desfazer a farinha com a água, mexa vigorosamente com uma vara de arames.»
A frustração doméstica reside algures entre a importância da vara de arames na confecção de um bolo de ananás e a interpretação do advérbio «vigorosamente». O que é o mesmo que dizer: entre os objectos desprezados na lista de casamento e a aptidão físico-exegética do aspirante a cozinheiro.
Exclua os ingredientes de origem animal
«Normalmente sinto um prazer enorme em perseguir os ditongos das palavras e assistir ao movimento dos parágrafos quando adquirem essa dimensão inaudível do som. Repetições, acrescentamentos, e o significado primeiro das palavras torna-se algo parecido com isto, da mesma substância. Faço-o com prazer acrescido se a música soar com força, agressiva, e a televisão passar imagens de felinos a perseguirem presas. Não sou escritor. Gosto é de bichos que, tal como as palavras e como a criança da minha mulher, ocupam um lugar indizível ao qual nunca chegarei.»
(De um papel encontrado na caixa do correio da casa nova, a do chuveiro que infalivelmente não pára de pingar; a caixa do correio, apesar de velha, suja e empoeirada, funciona.)
Fica sempre uma franja de vida (Drummond de Andrade)
Nota sobre o post anterior
Em estado pouco líquido

























































































